“Try something you could fail at. We all do things that we can comfortably achieve, but rarely do we set the high bar one notch above what we think we can clear, and that’s what’s driving me on here.”

Henry Worsley

Advertisements

nem sei porque é que ainda tento

a verdade é que já tentei ter unhas de gel e volta e meia parto-as a meio. às vezes, mas só às vezes é coisa para aleijar.
achei que se lixe vou fazer uma manicure normal que é mais barato e assim como assim é mesmo para estragar. mas caraças nem deu para sair do sítio onde gastei o dinheiro. A meter a carteira dentro da mala, pimba! lá foi a primeira. nem 15 minutos depois lá foi a segunda.
mãozinhas de fada não é mesmo comigo.

no, no, no.

there are windows but they don’t open. the music is loud and keeps on being repeated. the sound system provides a lot of scratching sounds and the room itself is filled. with idiots.

pela segunda vez é tempo de esperar pelo sorteio

que eu sou gaja que gosta do seu postalito. estava a falhar pólo norte mas lá está o selo na testa. reza a lenda que faço parte dessa seita.

 

pesquisas e dúvidas

pessoa com necessidades muito especiais veio aqui parar pocurando por “preço medio putas sintra”.

ora bem, não sei. sinceramente nem lá nem noutra qualquer parte do país ou mesmo europa. e acho que é uma falha. fazemos sempre tábua rasa nos 50 euros e ainda me lembro de quando as putas reles eram as dos dois contos. portanto, se alguém tiver um preçario actualizado by all means. be my guest.

o que se faz ao domingo?

desgraçam-se as pernas e antes de ir trabalhar um par de horas aproveita-se para experimentar ultimate  por cortesia do couchcurfing. hyde park bem aproveitado mesmo com muito vento. (onde é que eu estou? estão a ver um tipo vestido de preto mesmo muito alto? pois, eu sou a gaja pequenita vestida de preto. jogar quando se é assim tão baixo é do caraças.)

photo credits to fellow player and couchsurfer winston.

pois que é mais abaixo

a minha realidade. o meu cacifo do local de trabalho está convenientemente localizado numa balneário unisexo e há dias em que vejo cada coisa que me tira o apetite. esse mesmo que estão a pensar.

copy paste integral

«A geração parva

Há mais ou menos dezoito anos, um editorial deste jornal teve a ideia de chamar “geração rasca” aos jovens que na altura tinham mais ou menos dezoito anos. A geração — essa geração, a minha — nunca mais conseguiu esquecer. Com toda a ambiguidade, levámos o nome a peito: ficámos ofendidos com ele, um pouco envergonhados sim, muito irritados também, mas fizémo-lo nosso sobretudo, tentando dar-lhe a volta (a “geração à rasca”) às vezes. Recusámo-nos sempre, sabe-se lá porquê — porque era injusto, digo eu —, a largá-lo.

Que o nome era injusto foi-se vendo depois. Na verdade, esta geração, que tem agora o dobro da idade, não foi absolutamente nada rasca. Pelo contrário, espanta-nos a nós — e a quem quiser observar — o quão cordatos fomos. Passámos a segunda metade das nossas vidas com esse ferrão do vexame em manifesto silêncio. Ouvimos até à náusea que éramos a “terra queimada” do sistema de ensino — chegámos a repeti-lo nós, por reflexo condicionado — até muito recentemente apenas se ter começado a reconhcer que afinal somos a “geração mais bem preparada” de sempre no país. O que pode não ser difícil, mas não deixa de ser verdade. E nestes anos todos, de forma passiva, cabisbaixa e rotineira lá fomos aceitando mais um estágio, mais um subemprego, mais uma caderneta de recibos verdes, mais um mês no call center, ou — pior ainda — um telefonema do call center a dizer que afinal não precisamos de ir neste mês nem nos seguintes.

***

Até que no outro dia, no Coliseu do Porto, a banda do momento, que leva um nome de mocinha de outros tempos — Deolinda — tocou em estreia absoluta uma música cujos versos começam, de mansinho, “sou da geração / sem remuneração”. Às palavras, claras e bem articuladas, o público que nunca as tinha ouvido reagiu primeiro com uma ligeira gargalhada. A música é também ela falsamente branda e delicada; em três minutos somente veremos que fomos enganados pelas aparências e que ela tem dentro uma raiva cristalina.

As rimas prosaicas, que parecem piadas e na verdade são facas — “isto está mau e vai continuar / já é uma sorte poder estagiar” — vão entrando na carne do público a pouco e pouco. Aqueles que lá estavam e tinham aquela idade — “a geração do vou-queixar-me-pra-quê / há bem pior do que eu na TV” — reconheceram-se ao espelho.

Irónica, muito muito cansada e lamentosa, a vocalista vai repetindo sobre o repenicado das guitarras, “que parva que eu sou”, “que parva que eu sou”. Insultando-se para não insultar o mundo porque afinal — a coisa menos rasca do mundo — somos bem educadinhos. Só quando a rede já está lançada a canção se diz, não vá alguém levar a mal, numa sugestão apenas:

“…fico a pensar, que mundo tão parvo / onde para ser escravo / é preciso estudar.”

Neste momento, o público estava pasmado. Na última estrofe — “sou da geração do já-não-posso-mais / que esta situação dura há tempo demais” — estava conquistado. No fim da canção aplaudiu de pé. Uns estavam arrepiados, outros comovidos. A cantora levantou os dois braços, numa espécie de alívio, como quem finalmente disse uma coisa que estava entalada. Vão ver: alguém filmou, pôs na internet, partilhou; nasceu um fenómeno. A geração finalmente pôs um nome a si mesma.

Pois é, Deolinda: que parvos que somos. Que parvos que fomos. Que parvos que temos sido. Mas ninguém pode ser parvo tanto tempo assim. Vê lá: se mudássemos aqui uma letra, e substituíssemos ali por outra — voilà! — ainda iríamos a tempo de ser a geração brava, não era?»

Rui Tavares

via menina limão

anda toda a gente com esta música na boca. se pensarmos no porque só temos razões para mandar tudo á merda. eu ando a fazer isso. e conto anos perdidos.

it’s, like, so mainstream

Cyanide and Happiness, a daily webcomic

tenho um certo pendor para desenvolver um certo afastamento em relação ás modas. não digo que seja totalmente imune ao que se usa, vê, faz. de todo. sou uma pessoa facilmente influenciável. mas com certos limites. não sei bem onde é que eles andam mas sei que andam algures. gosto de manter opiniões e altera-las de forma justificada.

a moda do momento é ser diferente, individual, irrepetível. custa-me ver o esforço a que se prestam as pessoas para serem tudo isso. e dás mais uma voltinha no carrossel e ali está uma imagem cuspida do anterior. então mas não era para ser diferente? acabam por serem todos um grande rebanho, de traços da raça bem delineados. mas pior que isso é não serem capazes de admitir que é isso que procuram. mas é caso de vergonha, pergunto eu? se é, então porque é que o fazem?

quando estive em casa pensei demasiado nisto

funny dog pictures - Ten Canine Commandments

o eirick kruder já não tem quem o passeie. ou que o leve á praia. que lhe abra o portão só para ele ir dar um mijadinha ao poste em frente á casa. o sr. kruder já chegou mais ou menos a meio da vida dele. e eu sinto tanta falta de ir para o jardim correr atrás dele.

até ao fim de semana

via gang of four

em que regresso á ilha é tudo acerca disto.

a mochila está quase feita, o guia está na mala. agora é lembrar os tempos do rex, o cão policia e que berlim seja assim tão divertida como dizem. se não for, que se lixe. parece que está lá ainda mais frio que aqui. ahhh frio. que bom!

romeu & juliet

john ross

The world’s greatest love story is told through Nureyev’s inventive choreography with sumptuous costumes and sets that transport you to the grandeur and bustle of Renaissance Verona. Prokofiev’s exhilarating and memorable score played by the Orchestra of English National Ballet is the very heartbeat of this tragic tale of love and destiny. Rudolf Nureyev’s award-winning production of Romeo & Juliet was especially created for English National Ballet in 1977 to celebrate the Queen’s Silver Jubilee. The Company has since performed it worldwide to critical acclaim.

Choreography Rudolf Nureyev; Music Sergei Prokofiev; Design Ezio Frigerio; Lighting Tharon Musser; Restaging Patricia Ruanne and Frederic John

english national ballet

cheguei de portugal e fui ao londom coliseum matar uma curiosidade. nunca tinha ido ao ballet e aqui os preços são bem mais acessíveis por isso não havia desculpas. a música já se sabia boa. o resto foi tudo descoberta.

que se ouvem os passos do palco quando eles saltam. que apesar de se conhecer a história é sempre possível encontrar emoção nos movimentos. e que não sei bem porque é que nunca tinha ido ao ballet. mas nada que não se resolva. há um cisne negro para o próximo mês.

estou em crer em várias teorias

Funny Pictures

porém aquela que mais sentido faz dentro da minha cabeça é a questão da orientação. contexto? não raras vezes acordo sem saber onde estou. desorientada mesmo. já lá vão 4 meses e já é tempo de passar esta sensação. mas não passa. acordo sem saber onde estou e gradualmente os sons da rua dizem-me que estou aqui  a 3 passos de um dos centros do mundo. pensei longamente sobre isso.

estranho. afinal já dormi mais vezes que me consigo lembrar em camas alheias. cresci num sítio, mudei-me para outro. mudei de quarto dentro das casas mais de meia dúzia de vezes. já morei em aveiro. já morei em lisboa. já passei férias em n sítios. já passei noites também. e só tinha esta sensação quando dormia dentro de uma tenda.

há ali qualquer coisa. é a orientação da cama. só pode. sempre, sempre dormi com uma parede na cabeceira da cama. e não é o caso agora. acordo quase todos os dias com esta sensação. e a mesma cara. mais coisa menos coisa.

somos duas.

Sou da velha guarda. Não acredito na mistura dos sexos, acredito que um vale pelo outro, que cada um, com as suas características é igual ao outro mas não acho piadinha nenhuma a essa mistura que por aí anda a tentarem imitar comportamentos alheios. A mulher quer-se frágil  (não fraca, cuidado), permite-se-lhe algumas crises de insegurança, vai na pior das hipóteses um arrancar de cabelos. Fica-lhe bem um choro de vez em quando, uma conversa sobre sapatitos, cremes e por aí. Também acho enternecedor quando começamos a falar em sentimentos e a capacidade infinita que temos em analisar a porra de uma frase por vários ângulos divagando ao nosso gosto, a dada altura um bom dia torna-se num pedido de casamento. Somos tão criativas. E algumas são cobras, somos sim, língua venenosa, sempre a ver quem tem mais mamas, melhor cabelo e maior namorado, sempre a competir, sempre a correr não vá alguém estar à nossa frente. E fazemos-nos de púdicas, dá-nos um certo gozo essa coisa do “oh não, eu não queria mas não resisto ao cheiro da tua nuca, que maçada” quando, no fundo pensamos “dasse, estava a ver que nunca mais te aproximavas, farta de só ter sonhos húmidos contigo, meu amor”. Isto somos nós. Não eles.
Eu não suporto homens “meninas histéricas” que tentam, para se aproximar de nós, abordar os nossos temas, a fazerem-se de ofendidas constantemente, com birras, choros e dramas. Homem que é homem não é isto, não passa horas ao espelho, não pensa duas vezes em ligar nem três vezes em ir procurar a mulher dos seus sonhos, bolas, homem que é homem cuida, como nos primórdios dos tempos, cuida, mete a mão no ombro e, de preferência com voz grave, diz que está tudo bem, que vai ficar bem, que está ali. aqui.
pela sempre certeira ême

é que entre estar aqui agastada

Funny Pictures

com a  gripe, o pescoço que não dá tréguas, ver preços de congressos e tentar não levar com um double deck bus, vulgo autocarros de dois andares, em cima não me sobra assim muito tempo. pessoas.

é.

Isto de ser arrogante não é fácil, temos que estar melhor preparados que os outros, são os livros lidos em vez de alimentar as facebookeanas páginas, são as viagem feitas em vez do torrar ao sol no reino dos Algarves, são as experiências vividas em vez das manhãs dormidas até tarde que nos dão as bases para sermos arrogantes, que, todos o sabemos, é ter opinião clara sobre os assuntos, é dizer nos olhos que se gosta em vez de clicar no dedinho para cima, é assumir o que se faz em vez do refúgio fácil no boato e na velhacaria, é não falar de quem não conhecemos, é não fazer alianças de conveniência.

Ser arrogante é saber que não vamos fazer parte dos mais populares, esse estatuto pertencerá sempre aos que se queixam, que, coitadinhos, não têm sorte nenhuma, aos dignos de compaixão, aos que precisam do ombro amigo, aos que preenchem as nossas necessidades de termos um desgraçadinho de estimação para tomarmos conta.

Ser arrogante é uma canseira, dá trabalho, implica fazer opções claras, pedir desculpa quando tem que ser. Ser arrogante não é para todos. É por isso que somos poucos e cada vez seremos menos.

pipoco mais salgado

ou a vida está muito aborrecida

via singularidades de uma ruiva

ou a vida está muito aborrecida. das duas uma. sim, porque ir á casa de banho comum e olhar para a banheira coberta de pêlos e dar-me para rir enquanto organizava um proto texto na minha cabeça só pode querer dizer mesmo que a vida anda muito aborrecida. mas pronto. é. alguém decidiu depilar-se com a lâmina na banheira. tudo de bom amores. eu é que não precisava de saber isso e que a pessoa em causa têm muito pelinho para rapar. e são escuros comó raio e grossos. lá está. não precisava de saber isto.

eu já recebi o meu

com selo polar vindo pelo punho da andreia chegou cá são e salvo. ahh a alegria do natal. e eu acho que me esqueci de escrever o nome do beco no meu postal. clássico. e a neve desta ilha…ou muito me engano ou vão receber os meus postais lá para 2011.

resposta ás questões acerca do natal

é este o meu sentimento em relação a esta época de festividades. não vou a casa. não farei o esforço adicional só porque é natal. ou a passagem de ano. voltarei quando puder. sinto falta das pessoas. é verdade. não de uma época.

culture tells us we are always to be blamed

Rape culture is telling girls and women to be careful about what you wear, how you wear it, how you carry yourself, where you walk, when you walk there, with whom you walk, whom you trust, what you do, where you do it, with whom you do it, what you drink, how much you drink, whether you make eye contact, if you’re alone, if you’re with a stranger, if you’re in a group, if you’re in a group of strangers, if it’s dark, if the area is unfamiliar, if you’re carrying something, how you carry it, what kind of shoes you’re wearing in case you have to run, what kind of purse you carry, what jewelry you wear, what time it is, what street it is, what environment it is, how many people you sleep with, what kind of people you sleep with, who your friends are, to whom you give your number, who’s around when the delivery guy comes, to get an apartment where you can see who’s at the door before they can see you, to check before you open the door to the delivery guy, to own a dog or a dog-sound-making machine, to get a roommate, to take self-defense, to always be alert always pay attention always watch your back always be aware of your surroundings and never let your guard down for a moment lest you be sexually assaulted and if you are and didn’t follow all the rules it’s your fault.

via wild at heart

catarse #1

não sei o que fazer. sinto-me atada por uma vontade indomável de me enterrar com a cabeça debaixo das mantas e esperar que tudo passe. deixar que sejam os outros a decidir por mim ou mesmo, que sejam as circunstâncias da vida a decidir as coisas como elas vão ser e não ter que ser eu a fazer isso. estou cansada de errar, não ter razão, de bater com a cara na parede. se a coisa não correr bem que seja culpa de terceiros e não minha. não sei o que fazer. voltei há uns meses atrás. sinto-me abandonada como no final do ano passado. a saber que tenho que fazer alguma coisa e não me consigo mentalizar que isso inclui voltar ao ínicio. não me sinto capaz de trabalhar como enfermeira. já lá vai tanto tempo. sinto-me estúpida e perdida. sinto que agora precisava de voltar ao bancos da escola e aprender tudo novamente porque não sei nada. deixo ofertas de emprego passar por medo. estou apavorada. pessoas falam de entrevistas e das perguntas que fazem. não sei nada. sentar-me-ia naquela cadeira a balbuciar um rotundo ‘não sei’ o quer que seja que me perguntassem. estou apavorada novamente de ter uma pessoa à minha frente à espera que eu seja uma enfermeira, que faça o que é preciso, que lhe saiba responder às suas dúvidas e eu só me apetecer fugir para casa e chorar profusamente. o medo tomou conta de mim outra vez. nem sequer consigo fazer mais nada. nem sequer concorrer a medicina. parece que estou pregada ao chão. tenho os impressos da ordem britânica e deixo-os estar. tenho medo de me ir embora e não ser capaz. de falhar rotundamente. eu que me auto proclamo como uma mulher lutadora. tenho medo de sair de casa. quero ter as minhas 4 paredes e sentir-me bem dentro delas. e agora que já me sinto está difícil deixa-las e começar tudo outra vez. mas sinto-me presa e sufocada nesta casa, nesta cidade. os anos passaram e está tudo na mesma. cruzo-me com as mesmas pessoas e as de sempre. acabo sempre por ter que me cruzar com os fantasmas do meu passado. apetece-me fugir e deixa-los a todos aqui. tenho as minhas dead lines na cabeça. ‘ok quando pagares tudo o que deves, então aí ponto final. vais embora’ mas parece que nem isso. quero mesmo sentar-me numa esplanada cheia de sol com bons amigos a rir-me e estar tudo bem na vida. deito-me todos os dias a desejar isso e a ver passar á frente dos meus olhos tudo o que me afasta dessa esplanada. voltei a andar com os dentes cerrados em permanência. como se fosse um cão que tivesse que rosnar o meu medo ao mundo. é estúpido pensar que me sinto velha com 25 anos. mas já os tenho e nada para mostrar que tenha feito com a vida. deixo sempre para amanhã fazer aquilo que me vai colocar no caminho da regeneração. de volta ao brightside da vida. com objectivos e planos e com tudo o que preciso de fazer e quando. estou tão cansada de ter sempre algo que me deixe acordada toda a madrugada. eu sei que tudo se vai resolver. eu sei que sim. mas podia ser já amanhã.

escrevi isto a um amigo em abril de 2009. o mais estranho é que há demasiado aqui que ainda é verdade. mas já assumi os medos. e já decidi muitas coisas. não deixei  por conta de terceiros. estou a tomar as rédeas deste caos.

eu sonho ser uma casa de meninas.

Eu, cujo sonho meu é chegar à centena de visitas diárias, desde que duas delas sejam o maradona e o senhor primeiro-ministro, e aí me manter com regularidade e contenção, nunca me importei de ter 20 visitas ou mesmo 3, desde que uma delas fosse Deus. De resto, para me guiar, ponho a bitola das visitas na seguinte base: a melhor e mais produtiva prostituta raramente ultrapassa as 25 visitas diárias. Actualmente, vou em 80!

gaf

se o wikileaks fosse assim é que era.

Estou com medo: será que o WikiLeaks tem provas de que tomei uma bezana em 88 com uma garrafa de Martini – episódio que me afastou para sempre desse glamoroso néctar e das suas possibilidades de sedução? Mais: será que o WikiLeaks sabe e vai divulgar ao mundo que em miúdo era do Belenenses e pedi ao meu pai, com infinito temor, para mudar para o Benfica? Será que amanhã vou comprar o “El País” e topar que se tornou público que já gostei dos Bros e do Climie Fischer e que só depois é que passei para um universo musical, digamos, um bocadinho mais denso ao ouvir “Kiss Me Kiss Me Kiss Me”, dos Cure? E não sou só eu que estou com medo: a vizinhança também está. O filho da Dona Odete, machão encartado, receia que se conheça a sua aventura homossexual aos 17 anos com um primo de Setúbal. O dietista do 2.º esquerdo treme só de pensar que o mundo vai comentar o seu vício das trufas de chocolate belga. O intelectual do rés-do-chão tem ataques de pânico ao imaginar que os seus tertulianos amigos podem vir a perceber que, enquanto lê o seu Zizek, tem a televisão sintonizada no Dr. Oz. Para agravar mais as coisas o Gonçalo Amaral ainda veio comunicar que há um satélite em cima do Algarve e do Norte de África que vai trazer mais provas contra os McCann. A gente pergunta-se: será que não há outros satélites por cima de nós a gravar tudo o que fazemos – para reproduzir mais tarde, em sessões de fazer corar o Zé Carlos do talho? Tenho medo. Tenho muito medo.

nuno costa santos

peito feito e cabelo ao vento

by josé bandeira

oh minha gente. 500 paus e as notas de 2 contos. a cadência das palavras que fluiam sem entraves de centavos. ainda me lembro das notas de 100 escudos com o fernando pessoa.

quando o euro ditou o final desta relação protectora dos nossos escudos guardei uma nota. 500 escudos. repousa lá em cima da lareira em portugal.

wishlist

a ver as aventuras dos adoráveis ickle e lardee e atingiu-me mesmo no meio dos olhos. é exactamente aquilo que eu preciso! uma máquina de fazer pipocas. estou-me tão a ver a fazer o mesmo que o lardee.

sou melancólica, bota de elástico e gosto dessa maçada.

Sou perfeitamente capaz de admitir que o aparelho há-de ser bestialmente prático para pessoas sobredotadas, mas, para sujeitos limitados como eu, capazes de lerem apenas um livro de cada vez, e devagarinho, as novas tecnologias de leitura afiguram-se ainda um pouco estrambólicas. (…)

A possibilidade de ter toda uma biblioteca dentro de uma bolacha electrónica é seguramente muito interessante para qualquer indivíduo que não aprecie a companhia quieta de centenas de livros já lidos, amarelecendo em silêncio e cobrindo-se melancolicamente de pó. (…)

Segundo já profetizou um inteligente, “a literatura não é feita de papel” e, portanto, não há-de faltar muito para que seja possível fazer download de vários milhões de terabytes literários directamente para o cérebro, previamente dotado de uma tomada USB biocompatível. Com o interface adequado, será mesmo possível dispensar-se, um dia, a maçada de aprender a ler.

m.j. marmelo

nunca.

Filoctetes detesta os homens e a sociedade. E porquê? Porque foi abandonado numa ilha deserta pelos seus companheiros, aqueles em quem mais confiava, deixado a agonizar com uma mordedura de víbora que tornou um dos seus pés numa chaga infecta.

Assim que Filoctetes foi ferido, aqueles em quem confiava não quiseram saber mais dele, não lhe suportavam a presença, a visão, o cheiro, não aguentavam os seus lamentos lancinantes. Ele já não era útil. Foram-se embora, ele que morresse sozinho.

Não morreu. Viveu dez anos naquela ilha, sem ninguém, e sem maneira de regressar a casa, horrorizado com a deslealdade e sofrendo dores atrozes. Tornou-se endurecido, insensível, selvagem. Um farrapo humano.

É por isso que Filoctetes não quer saber do convívio com gente impiedosa. É inflexível, nunca mais quer nada com eles, «nunca, nunca», diz, nem que os deuses intercedam. O trauma justifica a insolência.

pedro mexia

but i still love ya dear.

o meu menino faz anos hoje. já pode ir á escola. esperemos que com isso aprenda alguma coisa de jeito. que comigo não aprendeu nada que se aproveite.

 

podemos ser racionais por favor?

via wild at heart

até á data e apesar da minha auto proclamada capacidade para resolver bem e rapidamente os meus desaires emocionais a verdade é que todos os que correram mal deixaram mossa. uns mais que outros é certo mas todos tiveram o seu impacto.

digamos para bem desta discussão comigo mesma que é assim que deverá ser. tens que aprender com tudo o que te acontece e usar isso na próxima vez. mas não creio que tenha aprendido grande coisa. se até aos 20 anos não me interessavam em particular essas questão das relações a partir do momento que experimentei acabei por desenvolver um nada saudável vício.

constacto, para minha grande infelicidade mental, que cometo os mesmo erros continuamente. serei incapaz de apreender? sei que a minha inteligência emocional é limitada tal como a inteligência matemática são os dois pontos mais vergonhosos de uma avaliação que produziu resultados contantes. mas o pico negativo da inteligência emocional preocupou-me.

e tinha razões para isso. cometo sempre os mesmo erros. faço sempre as mesmas coisas. acabo sempre por me relaccionar com o mesmo tipo de pessoas. acabo sempre da mesma maneira.

apercebi-me que cada vez mais encurto o espaço temporal entre relações. sejam elas de que tipo. parece que tenho a necessidade de me dedicar intensamente a uma pessoa. e onde é que está o problema?

o problema é que me esqueço que deveria dedicar-me a mim primeiro e antes de tudo. e esquecer este ruído de fundo.

sei que as restantes inteligências se podem treinar. a velha máxima de que o cérebro é um músculo e por isso deve ser exercitado.

tentei isso em termos de controlo dos meus centros emocionais. e não me parece que esteja a resultar.

a minha química cerebral adora pregar-me rasteiras.

e é isto todas as manhãs

zits by Jerry Scott and Jim Borgman

com uma ou outra variação no que concerne ao azul. por vezes é mais ‘seriamente que manhã tão cinzenta e fria e ohhh porquê? porquê?’

noites brancas VII

porque tudo é uma questão de palavrões, de voz, não se deve esquecer, deve-se tentar não o esquecer completamente, o que importa é haver uma coisa a dizer, por eles, por mim, não se sabe, é cãs para pensar se toda esta confusão de vida e da morte não lhes é totalmente alheia, tanto quanto a mim.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas VI

os queimados vivos, quando não estão atados, não hesitam, caramba, em correr para todos os lados, sem qualquer método, crepitando, em busca de um pouco de frescura. até há os que levam o sangue-frio ao extremo de se atirarem de uma janela. não se lhes pede tanto.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas V

não precisa racicionar, só tem de sofrer, sempre da mesma forma, nunca menos, numa mais, sem qualquer esperança de uma pausa, sem qualquer esperança de morte, é muito simples. não é preciso racicionar, para não se ter esperança. venha pois a monotonia, é mais estimulante.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas IV

o cinzento não significa nada, o silêncio cinzento não é forçosamente senão um bom momento a passar, tanto pode ser o mais, como pode ser o menos oportuno.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas III

então poderão calar-se, sem terem de recear um silêncio incómodo de morte como se diz, com anjos a passarem, um verdadeiro martírio.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra